Me perguntaram se eu poderia falar de moda nessa coluna. Em primeiro lugar, eu posso falar sobre o que eu quiser. Eu sou o Capitão desse navio. Em segundo lugar… eu não preciso de um segundo lugar. Eu sou o Capitão desse navio. Falemos sobre moda, então.
Seria hipocrisia aparecer por aqui escurraçando a aparência e todo aquele bla bla bla que algumas pessoas tentam empurrar pra cima de todo mundo. É claro que as pessoas se importam com a aparência. Não tem como escapar disso. Até quando alguém tenta manter uma aparência desleixada e imunda existe algum motivo. As pessoas usam sim a imagem como meio de se expressar. Sempre usaram e sempre vão usar. E é claro que se isso não é um problema, e nunca vai ser. A coisa começa a se complicar de verdade quando as pessoas acham que precisam seguir padrões pra que sua forma de expressão seja válida. E é aí que entra a moda.
Pois bem, as grandes vozes da moda podem até dizer que no próximo inverno a tendência vai ser usar bota alta e cueca por cima da calça, mas quem decide isso? Você simplesmente escolhe o que vai vestir porque uma voz superior te disse que isso é o bom? Claro, faz muito sentido. E isso não funciona só no caso das roupas e acessórios e essa merda toda. Funciona pra música, pra comportamento, pra posição sexual, pra tudo. Em toda e qualquer área do conhecimento, entretenimento ou qualquer porcaria que seja, existe alguém te ditando o que é bacana de se fazer e o que não é. E pra muita gente, ser direcionado assim é suficientemente bom. É aparecer alguém dizendo que o legal agora é chorar e vestir listras enquanto ouve remakes imbecis da pior época dos Beatles e pronto, o exército do choro aparece, cada idiota se achando único e diferente porque segue o rebanho, aceitando cada “Ãâ€ôôa, booooi!” que lhe é cuspido.
E é aí que entra talvez o que é mais ridículo em vocês todos. A dificuldade em aceitar que vocês só são parte da grande horda zumbi que vai fazer a moda de hoje entrar pra história. Ninguém se importa com “Chico, o Hippie” ou com “Zé Caveira, o Punque”. A sua estúpida e falsa individualidade que se foda, essa é a verdade. Qualquer boiada se mede pelo número de cabeças, não pelo tamanho do chifre do maior boi. Mas não, vocês não são parte da moda. Ninguém pode te rotular, porque você tem um estilo completamente único e diferente de tudo e todos. Exatamente como seu ídolo, Johnny Rotten. Ou outro idiota qualquer.
De que adianta você virar um imbecil completo pra ser aceito num maldito grupo, se no fim das contas você só passou a fazer parte de um grupo de imbecis? Não que você já não fosse imbecil desde o começo, claro, mas agora sua idiotice praticamente brilha como um maldito letreiro de néon. É gente como você que faz com que nasçam os emos, as patricinhas, os clubbers ou o grupo de babacas que for. É gente como você que torna possível coisas como isso:
E não adianta olhar com essa sua cara idiota como se não fosse com você. Você teria um swing wing idiota se fosse uma criança dos anos 60. Aliás, você não só teria um, como seria o garoto retardado que anda como um zumbi, ou aquele outro, de cabeça pra baixo na árvore. A moda te veste. A moda te diz o que ouvir. A moda te diz pra comer soja - e você come. A moda te diz em quem votar, o que fazer, onde mijar, quando dar o cu. Ê ôôô, vida de gado.
Povo marcado, povo feliz.EDIT: Graças ao GRANDE NM, que resolveu o problema da imagem. Vocês agora visualizam a vaca emo.
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