O primeiro pensamento que tive logo que ouvi falar do filme foi “Puta que pariu, aposto que vai ser um filme chato”. Afinal, é um filme sobre contrabando de armas, nas mãos da pessoa errada poderia ficar uma bela porcaria. E, felizmente, não ficou. O Senhor das Armas é um filme genial em vários aspectos: a história, os atores, os efeitos, as falas, e por aí vai.
Com uma história envolvente o filme narra a vida de Yuri Orlov, um ucraniano que havia se estabelecido nos EUA junto com sua família na época da Guerra Fria.
Yuri se sente infeliz com a vida que leva, ajudando os pais e o irmão, Vitaly, no restaurante que eles possuem.
Um dia, por acaso, ao entrar num outro restaurante, ele acaba presenciando um tiroteio, e nisso descobre uma forte atração por armas. Ele então começa a pesquisar mais sobre elas com a intenção de entrar pro comércio, e, em pouco tempo, vende sua primeira arma.
A partir daí ele se envolve cada vez mais com o seu negócio, fazendo de seu irmão seu sócio no contrabando. Com o tempo e aperfeiçoamento, Yuri acaba se tornando um verdadeiro Senhor da Guerra. E assim, as armas, as mortes, o dinheiro e as mulheres acabam se tornando uma constante na vida de Yuri. Assim como Jack Valentine, um agente da Interpol que persegue Yuri por quase todos lugares onde o contrabandista vai, visando pegá-lo em flagrante.
“Onde há um desejo, haverá uma arma.”
Detalhes e resumo á parte, a atuação de Cage, como mencionado abaixo pelo Atillah, é o que dá mais graça ao filme. Apesar dele ser o “vilão” da história, você não consegue realmente ter raiva dele, justamente porque ele é alheio á situação. O cara não deseja a morte das pessoas, ele só quer fazer algo que sabe que consegue fazer bem, e Nic consegue expressar isso muito bem. Além da atuação, os efeitos do filme e o modo como o filmaram também ajudaram muito a torná-lo um filme excelente. Afinal, ele já começa com a trajetória duma bala desde quando ela é feita até quando entra na cabeça duma criança africana. E apesar da desgraça, a cena é linda. Outra cena ótima é a de quando um avião pousa numa “estrada” dá Ífrica, e milhares de pessoas se desesperam pra sair do caminho dele. Sem palavras pra essa parte.
Mas o ponto principal do filme é sua história, repleta de diretas políticas, que mostram a podridão e decadência de exércitos, de governos, e do mundo, que alimenta mais e mais os conflitos vistos no filme inteiro, principalmente na Ífrica, onde ditadores haviam assumido o poder sobre várias regiões e matado milhares de pessoas, além de obrigar meninos a se armarem e irem pra batalhas como homens. São as cenas mais chocantes do filme inteiro as que mostram a insensibilidade dos ditadores e do contrabandista, que negociam armas por diamantes, enquanto pessoas morrem aos fundos. E, mesmo com tanta morte e desgraça, ainda sobrou espaço para falas excelentes. A maioria delas de Cage, como a citada logo abaixo.
Bem, é isso. Fiquem com a opinião do huno.
O Senhor das Armas - Segunda Opinião
(por Atillah)Nicolas Cage é um ator canastrão, e é por isso que os melhores papéis dele não são como herói ou bom moço. Ele fica bem quando faz papéis de pessoas sem moral, a serviço de causas próprias ou sacaneando geral.
E é por causa de Nicolas Cage que “Lord of War” terminou sendo um filme do caralho, e eu pedi pra Deborah deixar eu colocar algumas palavras nessa resenha dela. O personagem de Cage passa o filme todo tentando não se envolver emocionalmente com as guerras que está alimentando, e fingindo um isolamento e distância que ele só consegue manter através de elaborados malabarismos mentais, como diz a própria tag do filme:
“The first and most important rule of gun-running is: never get shot with your own merchandise.”
“A primeira e mais importante regra no tráfico de armas é: nunca seja atingido pela sua própria mercadoria”. Frase genial, aliás, pois já mostra pro espectador o fio da navalha que vai ser o filme todo; como é que um cara que vende ARMAS PESADAS pra governos, ditadores, traficantes de drogas e etc. conseguiria se manter á parte e não ser ferrado pelos seus próprios contratos e negócio escusos? NÃO CONSEGUE. E pra mim essa foi a grande sacada do filme: faça a merda que você quiser na vida, mas não finja que não sabe o que está fazendo, ou que não tem responsabilidade nisso.
Mais do que uma resenha da Deborah, esse filme é realmente uma recomendação de nós dois pra vocês, pois é um dos pontos altos da carreira do Cage. Assista pra perdoar o cara, se você ficou puto depois de ver “Motoqueiro Fantasma”.


