
Seguindo o embalo da moda de adaptações de quadrinhos, o Justiceiro ganhou um novo filme, recontando sua origem. Convenhamos que adaptar a origem real do personagem não seria algo complicado, mas o pessoal não perde a chance de modernizar as histórias. Castle passou por uma reformulação, e sua origem foi literalmente recontada. Para formular o roteiro, Jonathan Hensleigh e Michael France se basearam no volume 3 da revista (entitulado “Bem-vindo de volta, Frank”, e republicado pela Panini recentemente), de Garth Ennis e Steve Dillon, que se focava mais na comédia do que no desenvolvimento do personagem.
O agente do FBI Frank Castle (Thomas Jane), está prestes a se aposentar. Ele já passou por muitos casos complicados, tanto no FBI quanto nas Forças Armadas. Teoricamente seria simples: Ele, que estava infiltrado numa operação criminosa, iria armar um encontro com traficantes de armas. No momento da troca a polícia invadiria o local, atingindo Castle com uma bala falsa (forjando assim sua morte), e rendendo os criminosos. Mas durante a execução do plano, o filho do mafioso Howard Saint (John Travolta) é morto. á pedido de sua esposa, Howard contrata um grupo de matadores para encontrar e dar cabo no homem que matou seu filho.
Castle se encontrava numa reunião de família (com TODA a família) quando os capangas de Howard apareceram, dando início a um massacre. Todos seus familiares são mortos, inclusive sua esposa e filho. Ao tentar reagir, Castle é baleado e logo em seguida arremessado no mar por uma explosão. Um pescador da região o encontra e trata de seus ferimentos. Assim que se recupera, Castle veste a camisa dada por seu filho minutos antes do massacre (uma camisa com uma caveira estampada no peito), e sai em busca de vingança. Nasce assim o Justiceiro.
Fisicamente falando, Jane lembra o JusticeiroO que tinha tudo para dar certo (apesar de ser completamente diferente da origem das revistas, esta até que me agradou), começa a falhar. Em primeiro lugar, Thomas Jane mostra-se como um Justiceiro completamente apático. Ele simplesmente não consegue transmitir as emoções sentidas pelo personagem (no caso, depressão e raiva), ou talvez seja apenas minha frustação diante das expectativas que tinha. Jane se redime mais tarde, ao fazer um excelente trabalho de dublagem no game do Justiceiro para Playstation 2. John Travolta agrada como Howard Saint, até porque mafiosos são sua especialidade (Pulp Fiction, alguém?). Não tenho o que falar do restante do elenco.
Outra coisa que me decepcionou foi a falta de violência, coisa que eu nunca imaginaria faltar num filme do Justiceiro. O filme mostra uma vingança bem elaborada, mas nada que chegue ao nível das monstruosidades cometidas pelo anti-herói nas páginas dos quadrinhos. Após a sequência da matança na casa do pai de Frank, as cenas de ação tornam-se escassas e… Já ouviram falar num líquido chamado sangue? É normal sair um pouco após ser baleado, esfaqueado ou coisa do tipo.
Acho que o filme seria melhor se não estivesse carregando o nome do Justiceiro em seu título. Indepedente disso, o filme traz alguns momentos de diversão, e vale a pena assistí-lo.
Justiceiro
The Punisher (124 minutos - Ação)
Lançamento: 2004
Direção: Jonathan Hensleigh
Roteiro: Jonathan Hensleigh e Michael France
Elenco: Thomas Jane, John Travolta





