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Críticas

11 . 01 . 08 |

Screwjack

Tapando o buraco dos outros (heh).
E com óDIO.

Nota do editor: A mudança estilística (essa coisa toda com as Maiúsculas) foi uma tentativa de dar um quê de Hunter ao texto. Espero não ter Falhado Miseravelmente.

Pois é, a Bel não vai poder fazer a recomendação de hoje, então aqui estou eu, pra preencher o buraco dela (heh)

Creio eu que meu Companheiro de Convés já tenha falado com vocês sobre Hunter S. Thompson. Se não falou, cá estou eu para falar sobre o mesmo de novo. E com um pouco mais de detalhes.
Enfim, não falarei diretamente sobre o escritor, mas sim sobre um de seus livros, Screwjack, que ganhei de aniversário do Piratão.
O livro, apesar de pequeno, é ótimo. Uma compilação de pequenos textos escritos em setenta e oito páginas, mas ainda assim Excelente. Como o próprio Hunter disse, Screwjack foi escrito para fazer o leitor subir a Montanha e depois jogá-lo do topo para cair diretamente numa “selva de desastres pendentes”. E claro, o livro não decepciona em momento algum.

Uma obra de arte.

A primeira história, Mescalito, conta as experiências do jornalista com drogas. Ou melhor, com a mescalina, especificamente.
O texto inteiro, praticamente, é sobre como ele se sente enquanto sob o efeito da droga, o modo como pensa e tudo o que se passa em sua Mente & com o seu Corpo enquanto espera seu amigo vir buscá-lo no hotel onde está e tenta escrever um Texto. Quanto mais alterado ele se mostra, mais estranho o Texto fica, se limitando finalmente a Frases & Palavras separadas por hífens e quase lançadas á própria Sorte. Um ótimo texto. Se lido com atenção, você realmente consegue imaginar como ele se sente.

A segunda história, Morte de um Poeta, narra a visita de Hunter ao trailer de um amigo, com reviravoltas bizarras e um Fim Terrível. O homem havia apostado em um jogo de futebol. O fato é que a Maldita Bebida acabou com tudo. Bastaram alguns goles pra que o cidadão mudasse a Aposta, o que transformou o que seria uma Celebração em uma Tragédia. E é durante o fogo cruzado com a polícia que ocorre a Morte do Poeta, narrada de um jeito surpreendente e único. Creio que o final desse conto, especificamente, seja um dos pontos altos de todo o livro - se não O ponto -, o Cume da montanha que Hunter cita. É interessante dizer também que o conto é parcialmente verídico, em especial o ótimo final. É raro encontrar quem descreva Suicídios como Hunter faz nesse Texto.

E finalmente, Screwjack, conto que dá nome ao livro. É nessa história que conhecemos o alter ego de Hunter, Raoul Duke, que consegue ser ainda mais Insano & Interessante do que o jornalista. A história começa com uma nota dos editores alertando sobre como os Fantasmas de seus Crimes voltaram para assombrá-lo e de como Medo, Delírio & Lúxuria tomaram conta da vida do escritor. Aí somos jogados diretamente numa carta de Raoul, que é em suas primeiras linhas apenas uma Carta Normal, que seria feita a um amigo relatando uma visita dum homem. Mas conforme a carta prossegue, percebemos que o visitante não é um homem e sim um gato, e é ai que Raoul fala de seu amor pelo gato, seu amor Pertubador pelo gato, e eu espero que vocês entendam o que eu digo com Pertubador pelo seguinte trecho: “Ele me encarou sem dizer nada. Então, se contorceu até escapar de minhas mãos e caiu no chão…Sumiu de repente, sem ruído algum, como se fosse alguma espécie de fantasma de meu outro mundo…tive a certeza de que nunca mais o veria. Não o veria por pelo menos seis anos, e provavelmente nem depois. Quando nos encontrassémos novamente ele pesaria 90 kg, me viraria de bruços e me foderia por trás como se fosse uma pantera.”

Ao longo do texto a carta de Duke acaba e inicia-se o texto de Hunter, falando sobre o Medo que teve quando leu a carta e se viu acariciando o gato. Enquanto se perdia em seus próprios pensamentos e afagava o animal, o mesmo se revolta e morde a mão do escritor, que se irrita, tratando o gato como um verdadeiro Traidor, o esmagando e arremessando contra a parede, demonstrando não só Raiva, mas Medo & Loucura. Coisa que se vê nesse outro trecho: “‘Desgraçado!’, pensei. Seu idiota! Confiei em você, mas estava errado. Você não é melhor do que aquela fedelha por quem o Mailer se apaixonou…agora preciso decepar sua cabeça…E então o animal disse “nunca mais”. E dum modo Pertubador, acaba-se o texto, só não sei se mais Pertubador do que o começo dele. Hunter S. Thompson realmente foi um escritor Ícido, e muita gente deveria lê-lo ou receber uma Bala na Cabeça. Ou os dois. De preferência os dois.

Enfim, já te dei mais do que Bons Motivos pra comprar o livro. Faça-o AGORA! E leia também Medo e Delírio em Las Vegas. E Hell’s Angels. E, claro, Transmetropolitan.

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And the Raven, never flitting, still is sitting, still is sitting
On the pallid bust of Pallas just above my chamber door;
And his eyes have all seeming of a demon’s that is dreaming,
And the lamp lighto’er him streaming throws his shadow on the floor;
And my soul from out that shadow that lies floating on the floor
Shall be lifted—nevermore!

thiago
12/01/08 | 12:14 am | URL | #

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