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Bem vindos a vila onde mora Chaves. Começa bem, o lugar é chamado por todos de vila, mas nem é tão mau assim para receber essa alcunha, já que tem saneamento básico e energia elétrica. Essa série de grande sucesso foi uma produção mexicana que, se você pensar a respeito, é uma fotografia perfeita da sociedade latino-americana dos anos 80/90.
Existem elementos que tornam Chaves uma série infantil um tanto quanto violenta, com lições racistas e discriminatórias. Analisando os personagens nós encontramos um leque de aberrações sociais. Começamos por Chaves, um menino de rua que mora (diz ele que mora no oito …) em um barril. Que tipo de conforto podemos encontrar dentro de um cilindro de madeira? É um lugar espaçoso o bastante para uma criança com a estatura de um adulto residir? Uma pessoa que vista trapos e tenha um sapato com cadarços amarelos e more em um barril pode ter dignidade? É óbvio que não, e por isso Chaves vive apanhando e roubando comida. A sociedade o fez assim, e é assim que ele vai ser pelo resto da vida, um ser medíocre cheio de doenças de origem animal que futuramente vai roubar para comer.
Então voltemos nossa atenção para o casebre da direita, onde vivem um caloteiro e sua filha, uma menina prodígio na arte de enganar as pessoas. Seu Madruga é um homem de meia idade que nunca foi admirador de uma vida estável e segura, preferindo então viver como um oportunista, mesmo tendo uma filha para alimentar. Um devedor nota mil que deve quatorze meses de aluguel (o pior não é ele dever, e sim o trouxa do proprietário do ímovel aceitar a dívida). Um homem ranzinza, de costumes violentos e de pouca paciência, que não acredita na psicologia como forma de educação, e tem prazer em se aproveitar das situações para agredir fisicamente as crianças que o cercam. Sua filha, Chiquinha, é uma menor infratora, uma mentirosa compulsiva que sempre exagera quando alguém lhe faz algo de ruim. Tão mentirosa que usa óculos sem lentes para terem pena ao pensarem que tem miopia e não pode enxergar. Uma criança muito mal educada que não tem consideração alguma com o próximo e que adora sobressair pelo fato de ser mulher.
Ao lado mora uma mulher no mínimo misteriosa, Dona Clotilde. Não tem costumes sociais e muito pouco se sabe sobre seu passado, apenas que tem uma irmã que mora em Paris. Levando á especulaçõe diversas, já que também nunca foi casada, pode ser bissexual. Entre seus costumes o mais estranho mesmo é o de andar de pijama por onde vai, além do fato de ser apaixonada (ou fingir ser) pelo trapaceiro malandrão do vizinho, Madruga.
Turma do AoE, da direita para esqueda: Deborah, NM, Bee, Théo, PM (no barril), Rafael e Huno
O que nos resta no cortiço agora é a ultima família que mora por aquelas bandas: Dona Florinda e seu filho Quico. Florinda é uma mulher que dispensa misericórdia, por isso, vamos cutucar a ferida. Ela é uma viúva que perdeu o marido no mar (mas com toda certeza foi trocada por uma meia dúzia de garotas de um prostíbulo em qualquer porto por aí), vive com o filho em uma vila e faz pose de rica … coitada. Mal tem dinheiro para limpar o (buzina) e fica fazendo pose de viúva ricaça, enquanto dá bola e a (buzina) para um professorzinho que usa um chapéu e serve de péssimo exemplo para crianças, já que não tem pudor em demonstrar que fuma charutos (imaginem a qualidade de charutos que ele fuma tendo um salário de professor…). Dona Florinda ensina o seu filho a discriminar as pessoas menos afortunadas que não tiveram tanta sorte na vida, e o lembra a TODO momento que ele não deve se misturar com a “gentalha”.
Saindo da vila, encontramos alguns personagens que valem a pena ser analisados, como o proprietário do cortiço, o senhor Barriga e seu filho Nhonho (que são muito parecidos…). Senhor Barriga é um homem que merece aplausos, por que driblou a discriminação e fez dela sua maior arma, tomando como nome seu maior defeito físico, sua gordura excessiva que futuramente o fará ter graves problemas cardio-vasculares. Seu filho, apesar da idade, tem o mesmo tamanho do pai, sendo tão gordo quanto, e que provavelmente irá ter um destino igual ao do pai. Diferente de Quico, Nhonho tem um pai rico (controvérsias, já que estuda em uma escola pública), mas foi bem educado e não discrimina os pobres, apenas tem o egoísmo natural de qualquer criança de não querer dividir comida (principalmente as crianças com obesidade mórbida). E no seu círculo social encontramos Godines, que não fede nem cheira na história, servindo para nada no seriado … nada mesmo.
Vocês conseguiram perceber como existe uma forte ligação com a sociedade latino-americana dos anos oitenta? Existe o trapaceiro, o menino de rua, a pobre que paga de rica, a bissexual discreta, o professor bigodudo e mais algumas pérolas da grande pobreza pela qual os países latinos passavam (e ainda passam) nos subúrbios cheio de gente feia que usa calças boca de sino e tem os cabelos com muito, mas muuuuito volume.









