Talvez vocês já tenham ouvido falar de um lugar chamado Sergipe. É um estado do Brasil, juro pra vocês. De qualquer jeito, o estado (ou, pra ser mais específico, a cidadezinha de Tomar do Geru) passou por dias de terror quando o bando de meliantes comandados por Cleverson dos Santos Reis, mais conhecido por Pipita, saiu por aí promovendo a desgraça e a destruição. Era assalto, assassinato, estupro e destruição pra todo lado. As pessoas diziam inclusive que o cara podia acabar virando o novo Lampião e trazer de volta os bons tempos do cangaço.
Claro, talvez as pessoas precisem de alguém pra querer morto, hoje em dia. Quer dizer, detestar os políticos corruptos é uma coisa. Torcer todo dia pra ver o corpo morto de algum deles no jornal é bem diferente. De qualquer jeito, o cara conseguiu botar medo pra caralho nos sergipanos. É o que acontece quando se arranca os peitos de uma velha, ou quando você enfia uma garrafa no cu dum sujeito de 72 anos pra roubar uma mixaria, eu acho.
É, eu sei. O cara começa a parecer realmente perigoso, agora. Pelo menos ele tava muito acima na escala (ou abaixo no buraco, como vocês preferirem) da bandidagem do que os outros moleques de dezessete anos que se vê por aí. Hm, talvez nem tanto. De qualquer jeito, o fato é que o garoto teve seus quinze minutos de fama. E, claro, causou um bocado de caos por aí. Isso não dá pra negar. E se divertiu pra caralho, imagino.
Foi na tarde de um sábado, dia 22 de março, que a coisa toda desabou pro maluco. Primeiro ele tenta invadir uma fazenda, se passando por policial. Grande plano, babaca. O facão do lavrador que o atendeu acertou o pulso e a cabeça. Claro, o “grande” Pipita não podia morrer assim tão fácil, então ele dá uns tiros pra lá e pra cá, e foge, roubando uma… bicicleta. Humilhante, eu sei. Quando a polícia encontrou o maluco ensanguentado em sua possante bike, ele ainda quis mostrar o que é ser um Cangaceiro de verdade. Aquele negócio de “eu morro, mas não vou preso”, sabe? Quer dizer, o moleque trocou a pena ridícula que ele pegaria por ser menor por três balas.
Agora, eu fico realmente estarrecido com a capacidade da polícia de Sergipe. “Pipita era o cérebro”, disse o delegado Marcelo Cardoso. Se ISSO é o cérebro, eu fico imaginando o enorme potencial do pobre coitado que for, sei lá, o BAÇO.
Já não se fazem mais bandidos como antigamente, de jeito nenhum. Tomou no Geru, Pipita.
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