Eu faço o melhor que posso como cartunista amador pra arrancar algumas risadas de meia dúzia de filhos duma égua que lêem isso aqui periodicamente. Juro que eu tento, sério. Mas eu acabei descobrindo do jeito mais doloroso o que a grande maioria dos aspirantes a artistas, humoristas ou o que for descobrem cedo ou tarde: meu melhor não é o bastante. E eu digo isso sem arrependimento nenhum. Afinal, é completamente impossível disputar com a genialidade insuperável do cersibon. Se eu fosse Dik Browne, eu faria com que Hagar se enforcasse em sua próxima tira, tendo em vista que a revolução no humor torna completamente irrelevante qualquer esforço de se fazer qualquer tira á altura.
Quer dizer, como o Piratão poderia competir com ISSO?
…eu deveria encher todos vocês de bala. Todos vocês. Esse diacho me fez lembrar de um certo filme que eu acabei assistindo por acaso em algum lugar bem longe daqui. Idiocracia, se não me engano. Falava sobre a degradação cultural e mostrava um futuro governado por seres humanos com cérebro inexistente. Gente como vocês, mais ou menos. De qualquer jeito, não foi essa incrível semelhança que me fez lembrar do filme - que, aliás, é do caralho e eu recomendo a todos vocês -, mas sim o programa de TV de maior audiência no futuro. Contemplem a genial arte de Ow My Balls:
Não que o bagulho não tenha graça. Eu admito, é hilário pra cacete de se assistir. O problema é você imaginar isso como um programa semanal, ou, sei lá, diário.
Não existem muitas regras no humor. Até me arrisco a dizer que não existe nenhuma: tudo o que pode se chamar de “regra” é extremamente intuitivo. Existem certas piadas, por exemplo, que funcionam bem pra caralho, mas que morrem horrivelmente se forem muito repetidas. É o caso das próprias falas de Tropa de Elite, véi: “Pede pra sair”, “Traz a 12″ e mais um bocado delas foram simplesmente sensacionais de se assistir no cinema, mas ninguém guentava mais essa merda algumas semanas depois, de tanto que encheram o saco repetindo toda hora. O que me faz lembrar de uma noite terrível, quando a insônia se prendeu em mim como uma sanguessuga desesperada, e eu resolvi ligar a TV. Eu não tenho TV a cabo, vejam bem, e isso me forçou a assistir… Altas Horas. E sim, eu me envergonho muito de contar isso a vocês assim, abertamente.
O caso, de qualquer jeito, é que Leandro Hassum estava sendo entrevistado, e o cara fez uma piada genial com as escolas de samba (ótimo, podem me jogar da prancha agora: eu acabei de elogiar um humorista do Zorra Total sendo entrevistado no Altas Horas). Tá aí, ó:
Até aí tudo ia muito bem. A piada foi um sucesso, daquelas que você se lembra depois e ainda consegue rir. O cara podia ir pra casa satisfeito e dormir feliz. Bom, imagina se o cara fosse, sei lá, um criador de dragões de komodo. O maluco leva três dos bichos pro programa, mostra um deles e a exibição é um sucesso. De repente, o apresentador puxa uma metralhadora e fuzila o desgraçado do lagarto, sem dó nenhuma. O que acontece depois? Pois é, o cara solta os outros dois pra cima do babaca, os bichos devoram ele e todo mundo sai feliz. Infelizmente, o tal Hassum só tinha piadas, e piadas não podem te passar doenças que fazem ebola parecer resfriado só de babar em você. O jeito, então, foi continuar a vida sabendo que sua piada foi cruelmente destruída por Serginho Groissman, que insistia em pedir pra platéia repetir o diacho do “na-ve-guei” a cada quinze segundos. Aí depois nego vem cheio de desculpa tentando explicar por que o programa só passa na madrugada de sábado, quando ninguém quer nem saber de televisão.
O babaquês funciona do mesmo jeito. Ou tiopês, alechat, como você quiser chamar. Uma coisa é você usar o troço uma vez ou outra, sabe-se lá por que motivo retardado. Outra é tentar vencer pelo cansaço, forçando humor insistentemente onde ele não existe.
- Mas Piratão, rapaz, os caras criaram isso como uma forma de parodiar certas formas de linguagem internética, como o miguxês, entende?Entendo, claro. O que eu não entendo, tanga, é por que o maldito avião de Casablanca não era da TAM. Quer dizer, olha a LóGICA dessa porra! Então se eu quiser sacanear veados, eu tenho é que começar a dar o cu? ótimo, pra mim já chega, então. Fiquem com seu maldito babaquês, eu sou um dinossauro conservador mané que nunca vai entender a grandiosidade da arte humorística contemporânea, que seja. Pelo menos a integridade do meu furico eu garanto: o emo tá aí pra ces “parodiarem”, rapá.

