É bem provável que você tenha ficado todo exaltado quando ouviu falar da Overdose Faroeste aqui no site mais quente
da galáxia. Você mal podia esperar para ver resenhas sobre Chitãozinho e Xororó e Daniel e DJ Thiago. Pois é, o fato é que eu tentei, mas não adianta. Você ainda senta no cavalo só pra levantar o rabo, aye? Mesmo assim, eu - felizmente - mais uma vez desaponto vocês, bichonas. Falaremos hoje sobre aquele que é praticamente o Wild Bill Hickok do Southern Rock: Zakk Wylde.
Jephrey Phill… er, Zakk Wylde nasceu em 14 de janeiro de 1967, de cesariana interna. Dizem na cidade que ele abriu a barriga da mãe com um tiro de espingarda, enquanto sua outra mão segurava uma garrafa de uísque.
Aos quinze anos, o cara começou a aprender a tocar guitarra. Pode parecer um começo tardio, mas nada que setenta e duas horas de prática diárias não tenham resolvido. O cara chegava a tocar guitarra sem parar desde o momento em que chegava da escola até a hora de voltar pra escola, no outro dia. Aí ele dormia durante todo o período de aula e voltava a fritar a guitarra quando a “hora do sono” acabava.
Zakk ficou famoso principalmente como guitarrista de Ozzy Osbourne e fundador da monstruosa Black Label Society. Mas o que realmente nos interessa hoje é seu estupendo projeto paralelo de 1994, ainda antes do BLS ser criado: Pride & Glory.
A banda, que lançou só um disco duplo (que, por acaso, também se chama Pride & Glory), tinha uma pegada muito mais voltada pro southern rock do que qualquer coisa que Zakk já tinha feito antes (e que fez depois, também), com uma forte pegada country que pode ser facilmente percebida pela incorporação de banjos e bandolins no som, além da voz de Zakk, claro, com um carregado sotaque sulista. Como já se viu em outras bandas, como Dire Straits e Lynyrd Skynyrd (de quem o Wylde é fã, aliás, a ponto de quase ter feito o P&G se chamar Lynyrd Skynhead), usar elementos de country dentro do roquenrôu funciona e muito bem. E nesse caso a coisa não foi diferente. E é claro que não bastaria eu tentar explicar pra vocês o quanto a coisa funcionou. O jeito é fazer com que vocês mesmos vejam, aye? Assim sendo, eis o clipe de Losin’ Your Mind, música que já abre RASGANDO o álbum:
Imagino que agora ces tenham começado a entender a coisa direito. Os harmônicos artificiais e os vibrattos psicóticos de Wylde se deram tão bem com as frases de música country quanto CAVALOS funcionam num RODEIO. E aí eu pergunto o que você fazia em 1994. Aliás, não pergunto. Eu SEI o que você fazia em 1994. Você chorava feito uma MOÇOILA pela morte de Kurt Cobain. Só sendo muito veado, mesmo.
Além de Zakk, a banda era formada por James LoMenzo, que acompanhou Zakk várias vezes, aliás, como no Book of Shadows e no próprio BLS, e atualmente continua tocando numa banda altamente piratesca - nada menos que o Megadeth -, além de Greg D’Angelo, que já tocou no Anthrax e no White Lion. Enfim, como ce conferiu no vídeo aí em cima, nego manda bem pra carái. Claro que a formação original não durou durante toda a existência da banda, mas isso não importa. O que importa mesmo é que descendo mais um pouco a barra de rolagem, você vê o vídeo de To’en the Line, executada ao vivo na Itália, em 1994:
Ainda que a banda tenha lançado só um álbum, eu me atrevo a dizer que Zakk Wylde nunca lançou nada tão inovador e empolgante quanto o Pride and Glory. Do primeiro disco, que contém as gravações originais da banda, não existe uma só música de se jogar fora. Você tem surtos psicóticos com Horse Called War, se empolga pra cacete com o refrão de Troubled Wine, não consegue se conter com a dinâmica de Machine Gun Man, que começa sutil, mas cresce de um jeito absurdo até explodir num refrão empolgante. O cara consegue deixar ela empolgante pra carái até mesmo tocando sozinho e tendo só um violão acústico, aliás. O vídeo você confere aí em baixo, ou ali em cima, clicando no nome da música. São dois vídeos diferentes, mas em ambos o cara toca o bagulho sozinho. Preferi deixar o vídeo do violão acústico mais á mostra porque o cara já começa o vídeo mostrando como PIRAR O BAGULHO com um violão:
No fim das contas, com um só disco ce já se sentiria satisfeito. Mas são dois, véi. DOIS. O segundo deles sendo só de covers, como In My Time of Dying, música de Blind Willie Johnson, que já foi tocada por uma porrada de gente - como Led Zeppelin e Bob Dylan - e The Wizard, música do Black Sabbath, que, aliás, é boa pra cacete.
Pride and Glory é de longe o melhor trabalho de Zakk Wylde, na minha opinião, e é muito provavelmente o melhor disco que se pode apresentar aqui, especialmente durante uma overdose de caubóis. Recomendo a todos vocês ouvir o disco sem parar no último volume até seus tímpanos explodirem. É claro que vocês podem continuar sendo um bando de comadres e ainda preferirem as coisas ridículas que vocês ouvem. O que vocês não podem dizer, enquanto ouvem essas porcarias, é que eu não tentei. Eu tentei, véi, e muito. O máximo que eu posso fazer com casos perdidos como você é jogar aos tubarões, aye?
Por fim, fechando a matéria com chave de ouro, você confere Horse Called War. Essa mata a pau, véi, pode olhar aí em baixo.


