» Soltando as Trompas – 24 de outubro de 2008, às 0:00 – por bel
Mulher prá comer X Mulher prá namorar
Alguém me explica como faz essa distinção?
Eu divido os homens em 3 simples categorias:
1. Eu pegaria;
2. Eu não pegaria;
3. Não conheço, logo, não sei se pegaria.
E é por isso que ser eu é infinitamente simples nesse aspecto: ou me agrada, ou não me agrada, ou não sei do que se trata. Mas vocês, leitores nojentos, SEMPRE insistem em complicar as coisas, sempre insistem em categorias esquisitas que eu tenho que mastigar e ruminar antes de entender o que diabos vocês querem dizer quando afirmam que existem meninas prá pegar e meninas prá namorar. Após ler uma afirmação dessa, inúmeros questionamentos pipocam em minha cabeça:
- Como você distingüe uma menina “prá comer” de uma menina “prá namorar”?
- As meninas “prá comer” são equivalentes a biscates? Ou existe diferença entre “menina prá comer” e “biscates”?
- Caso ela seja absurdamente linda e encantadoramente simpática, trabalhadora e divertida, mas safada e sem-vergonha, que curta dar prá mais de um cara ao mesmo tempo, receber o gang-bang na íntegra e engolir tudinho, você diria que é “prá comer” ou “prá casar”?
- Se for uma biscate assumida, muito carismática e inteligente, ainda assim é só “prá comer”?
- Mesmo a garota sendo “só prá comer”, se você a come e surge um amor genuíno dela por você, ainda assim ela é “só prá comer”? Mesmo que goste verdadeiramente de você?
- Que critérios, exatamente, você usa para tal distinção?
- A aparência conta? Porque, você sabe, pode acontecer de uma patricinha aparentar ser “prá casar” mas na verdade ser uma potranca sem-vergonha.
- Aliás, e aquelas patricinhas cu-doces que não fazem sexo anal e nem chupam “mimimi porque é nojento mimimimi” e são verdadeiras damas perante sua família mas só querem saber da sua grana? São prá casar ou só prá comer?
Eu adoraria que vocês, leitores que fazem essa distinção, me esclarecessem essas questões.
Agora, deixe-me contar um pouco da minha vida pessoal a vocês, em nome da continuidade do meu raciocíno. Poucos xiitas daqui sabem, mas eu tenho uma profissão deveras miserável fetichista nobre: sou professora; mas dou aulas em escola particular, normalmente aulas VIPs para engenheiros e técnicos que estão precisando do inglês no currículum. Um dos alunos da escola é um engenheiro nipônico, extremamente famoso na sala dos professores -composta 80% de mulheres- por suas declarações machistas. Ele é aluno da professora X, que vive chegando horrorizada
após as aulas:
- Vocês não sabem o que o japa disse hoje. Disse que lugar de mulher é em casa, cuidando dos filhos, e não dando aulas!
Esse é o naipe do cara, pobrezinha de sua professora, que é uma mulher tão porra-lôca e geniosa quanto eu. Poucos meses atrás ela veio nos contar, com o rosto rubro de fúria, que o japa havia lhe dito que mulher boa é mulher submissa e calada. Que fique bem claro que não foi um mané das quebrada do tipo manooo, é nóis na fita si pá, ‘bora fumar um bagulho doido aê? Enrola um fino aí prá galera, mermão, eu tenho pasta base aqui prá dar uma ligada nessa erva doida qualquer que disse isso; foi um engenheiro formado, culto, classe média-alta e beirando os 30 anos de idade. Mulher boa é submissa e calada, segundo o japa.
Submissa e calada, sei… japa pervertido.Poucas semanas após essa declaração, a professora X teve conjuntivite e tive que substituí-la numa aula para o japa. Ela TOCOU O TERROR em mim, dizendo que o japa era antipático, não dava conversa, era sério e bravo e eu passaria a aula inteira sendo observada sob olhos rasgados que não expeliriam nada além de fagulhas de ódio, desaprovação e nojo completo pelos meus piercings, tatuagem e ar de rebeldia. Respirei fundo, me benzi e lá fui eu, lecionar o japa machista e gelado como um iceberg.
Entrei na sala de aula TENSA, achando que o japa ia me botar num shibari complexo e enfiar agulhas incandescentes por debaixo das minhas unhas, após me bater com um chicotinho.
- É claro que eu consigo dar aula assim, japa, tá até confortável.Hunf, ledo engano. A hora e meia da aula passou voando. Conversamos sobre aquecimento global, iluminismo, teoria da relatividade, sinônimos e antônimos, e ainda tive tempo de ensinar-lhe o past perfect e revisar possessive case. O japa era, realmente, muito sério, mas não chegava nem perto de ser antipático ou frio ou curtir um bondage hardcore.
Na semana seguinte, telefona-me uma aluna minha, engenheira da mesma empresa que o japa:
- TEACHER, você não vai acreditar. O japa acabou de me dizer que tá apaixonado por uma teacher aí da escola, “aquela dos piercings”.
Hahahahaha, homens são engraçados.
Mulher boa é mulher calada e submissa, né? É óbvio que ele ia se apaixonar por mim, Calada e Submissa são meus sobrenomes, como vocês bem sabem. Bem, o desfecho do japa não importa neste dado contexto, mas vejam vocês que, tecnicamente, eu não seria uma menina por quem caras que gostam de mulheres quietinhas se apaixonariam. “Prá comer” ou “prá namorar”, o que decidiu essa paixão foi meu carisma e personalidade e peitões, e não os preconceitos infundados de um japa de -agora- língua queimada.
Eu posso ser mulher, mas eu sou um caso raro e tenho um cérebro (RÁÁÁ, aposto que vocês não esperavam piadinha machista por aqui), e sei que, numa distinção dessa, eu certamente cairia no grupo das “prá comer”, assim como todas as outras mulheres do mundo que gostam de farra, bagunça, beber, rir alto e falar palavrão. Nós somos a escória, a pária da estirpe feminina para indivíduos desse naipe.
Bissexual, tatuada, (ex) usuária de drogas e (ex) sadomasoquista. Essa é só prá comer, e olhe lá.Estou querendo chegar num ponto bem simples: ESSA DISTINÇÃO É ESTÚPIDA, bando de babacas. Ela desconsidera todos os outros fatores e põe, em suma, as bagunceiras como garotas de uma noite, sem valor, dignas de se comer e jogar fora; e as comportadinhas como candidatas perfeitas para o altar. Mulheres, antes de serem mulheres, são seres humanos. Não me canso de citar minha amiga Luanista, que no texto passado disse que por trás de cada pinto tem um ser humano (mulher inteligente é foda, hein). Bem, por trás de cada vagina também. Sem contar que: como caralhos se faz essa distinção?
Tão boazinha, certinha e comportada que dá sono.É óbvio que estou defendendo meu quinhão de moça que nunca fez ballet, nunca foi a princesinha do papai, nunca foi a noiva das quadrilhas juninas e que batia nos meninos da escola (admito: e que apanhava MUITO também, por conta disso. Brutos!), mas é que o lado negro da força sempre foi mais divertido. Não adotei o mote born to be wild à toa. Sei que centenas de milhares de outras garotas agregam-se ao mesmo grupo de só prá comer que eu e, apesar de tal distinção ser meio obtusa para mim, creio que se refere, basicamente, à garotas bagunceiras X garotas comportadas. E “garota bagunceira” é completamente diferente de “biscate”, que fique bem claro. Garota bagunceira é aquela que fica com vinte numa noite e depois dá risada disso, biscate é a que diz que te ama e depois te chifra com seu irmão.
Comportadas ou bagunceiras, todas têm suas vantagens e desvantagens. Mas uma coisa é certa: homem que acha que bagunceira é só prá comer jamais namoraria uma garota desse grupo, enquanto que homem que não vê nada demais em se relacionar com uma bagunceiras não tem esse tipo de restrição moral besta, namoraria uma Sandy ou uma Jolie independente do comportamento. Ou seja: homem que acha que só mulher comportada merece ser valorizada é um corno sarnento sem mãe; e homem que dá valor à mulher pelo que ela é, independente dessas disparidades superficiais e retrógradas, está um passo à frente na escala da evolução, logo atrás das mulheres (RÁÁÁ, um grande viva! prás minhas piadas sexistas). Daí, a porcentagem mundial de lésbicas aumenta vocês vem chorar pro meu lado, sem saber o porquê.
Quem não tem cão…Na moral? Bagunceiras, regozijai-vos: vocês não estão perdendo nada.
Tags: Comportamento, Mulheres
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