ótimo. Minha própria assistente me proibindo de apagar esta coluna e começar outra do zero. Maldito seja o filho duma égua que inventou o motim.
São quatro e vinte e seis da manhã. O sono, ou a falta dele, fazem minhas doses diárias de ódio começarem a surtir efeito. Eu deveria estar escrevendo sobre como Mark Knopfler continua fazendo um bom trabalho e recomendando diversão a vocês. Bom, eu poderia estar roubando, eu poderia estar matando… eu DEVERIA estar matando. Talvez fosse bom que eu recomendasse cianureto pra vocês todos. Temos um quadro só pra isso, não temos?
O Fato é que toda essa coisa louca de campanha de vacinação contra a febre amarela no DF e em Goiás tem me deixado Delirante. E eu pensava no que aqueles poucos macacos mortos realmente significavam, enquanto saboreava um sorvete livre de gordura Trans. E foi aí que eu soube que minha genitora havia enlouquecido. O peso cruel do stress do perigoso trabalho atrás de uma mesa finalmente se abateu sobre aquela que, até então, era um exemplo de solidez para mim. O cheiro de hospital me deixa nauseado, e a cada cinco minutos que se passa lá, você descobre quinze novas maneiras de sua vida se acabar de um modo horrível e doloroso - alimento mental para a vida inteira de um paranóico. Claro que estar dentro de uma Casa de Saúde não faz com que um ser humano se sinta melhor. Qual a chance de se sobreviver, quando pessoas entram com seborréia e saem em caixões, graças á infecção hospitalar? Eram duas da manhã, e eu fazia companhia a dois mutilados. E foi aí, ou talvez dias depois, que, como num lampejo momentâneo de Razão, me veio a Verdade: Algo estava errado. Algo ESTÍ errado.
Quer dizer, o grande fantasma que assombra os fracos de alma na sociedade moderna é o stress! Esse Maldito mundo morno nos aflige, como a calma que precede a tempestade. E a tempestade não chega. E é aqui que começamos a procurar problemas pra nos amedrontar. Porque não se vive sem o Medo. E eu não digo o medo cult, refinado e complexo, com toda a frescura que isso implica. Eu GRITO medo, quase como um primata em chamas. A vida requer fantasmas e vilões que nos injetem o Medo como o estuprador que injeta seu sêmen pútrido numa criança.
E é aí que entram o colesterol, a gordura trans e a santa manutenção do Templo do Corpo. Porque, cacete, nossos monstros estão todos mortos! Ou você coloca uma gota de medo em cada grão de açúcar que se come, ou a humanidade simplesmente vai afundar, vítima do tédio, como quem se afoga em areia movediça. Uma morte silenciosa, desesperadora e solitária. Não que transformar a vida cotidiana numa aventura épica seja a saída, claro. Pode ser que exista quem consiga ver a grande emoção em ser promovido a gerente de vendas da firma, ou o grande perigo em aplicar dinheiro no projeto tal, mas eu ainda não entendo onde é que a evolução errou. No princípio de tudo, nos tornamos os grandes predadores do mundo, escalando a grande montanha das espécies até o domínio global. No fim, não passamos de um bando de miseráveis depredados sentados em apartamentos com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar. E não há Raul que nos salve dessa triste realidade.
Por mim, que vocês achem seus demônios em pedaços de pão. Já não me interessa mais. Eu odeio isso aqui.
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