Era quarta-feira, 22:37 hs. Ele andava pela zona sul de São Paulo, á noite, a procura de um ponto de ônibus, com o cu na mão. Não tinha nada nas mãos (a não ser o cu), mas carregava seu mp3 player em um bolso, sua carteira n’outro e seu celular no bolso direito da frente. O outro bolso sempre está vazio, ele sempre se pergunta por quê. Então pára de se perguntar, afinal, aquilo era uma idiotice.
Ele chega no ponto. Não tem ninguém, não há nenhum movimento na rua. Estava frio, garoando, ventando forte. Ele acha uma bala de hortelã no bolso que sempre estava vazio, então fica feliz ao saber que o bolso não estava vazio, mas se pergunta: onde eu consegui esse raio dessa bala de hortelã? Não há resposta. Ele entra em depressão, mas logo sái: era idiotice.
Um ônibus se aproxima, mas não era o que ele aguardava. Ele desembrulha a bala, deixando-a cair no chão. Fica puto e começa a reclamar da vida, de tudo que ele fez de errado… ele era um fracassado, até perceber que havia alguém se aproximando, então percebeu que, mais do que nunca, seu cu ainda estava em sua mão.
- Oi.
- Boa noite. Veio esperar um ônibus?
- Isso é um ponto de ônibus?
- Certamente.
- Bom… eu poderia te esfaquear agora, mas isso é um ponto de ônibus… então eu vou esperar um ônibus.
- Peido pesa?
Ele havia cagado em suas calças, apesar de estar com o cu na mão. Mas ninguém liga, eram 22:49 hs em um ponto de ônibus na zona sul de São Paulo. Voltar pra casa barreado é para poucos.
- Que horas são?
- É hora de morfar…
- Você está pálido… ‘tá se sentindo mal?
- Eu… não como há dias. Emagreci 7 kilos só hoje, aliás.
- Hm… você é rÃgido com regimes, hein?
- Eu faço tudo pra ser sempre essa musa.
- Anhé? É uma bela musa.
- Opa, opa. Eu tenho as mãos grandes.
- É verdade. UAU! Como você é… quente.
- Oh… você nem faz idéia.
- ‘tá quente aqui, né?
- São seus olhos.
- São belos olhos, né?
- Sim… são muito parecidos com os me… MÃE?
Então ele levou um puxão de orelha, afinal, o ônibus que ele deixou passar, era o ônibus certo.















