Não sei se os três ou quatro neurônios que a maioria de vocês têm já perceberam que existe uma série de padrões de personagens em HQs. Sério, veja primeiro pelo uniforme, sempre um veado com uma cueca em cima da calça, nas cores vermelho e azul para representar a AMERICANIDADE deles, pagando uma de fodão com todos aqueles sensos de justiça e códigos de ética frescos, e uma identidade secreta que não é nada diferente da de super herói. Ou só eu acho absurdo o Clark Kent só tirar os óCULOS e ninguém perceber ele? Tá, um amigo tem a teoria que isso mostra que a sociedade não percebe os nerds infelizes e perdedores e blábláblá, mas eu acho isso uma baita de uma frescura.
E para os leitores que não sabem ler direito, eu vou falar de Marvel e DC , seus acéfalos.
Veja bem, os heróis mais ‘’humanos’’ sempre foram tratados como heróis sem ninguém nunca questionar, e na verdade isso é um padrão antigo. Pegue por exemplo o Capitão América, ele é herói simplesmente por ser Americano. Aquele símbolo de liberdade e de patriotismo que todo nego tende a se apoiar para dizer que ele é um herói do caralho. A mesma coisa com o Super-Homem, nego sempre colocou ele lá em cima, dizendo que era o Herói fodão que ia defender o mundo de todo e qualquer mal soviét….maligno.
Isso era praticamente um regra nas revistas (Ok, o primeiro que falar dos mutantes da Marvel que sempre foram odiados, ou do Homem-Aranha sempre ser visto como um bandido pelo Clarim Diário, vai acordar comendo capim pela raiz), qualquer herói que fosse surgir tinha que ser cheio de éticas, não podia ser humano, tinha que ser SUPRA humano. á prova de falhas, seguir a justiça a risca sem questioná-la. E obviamente, o que ele defendia nunca foi questionado. Eram símbolos, e símbolos são importantes para inspirar confiança nas pessoas, ser uma força na qual se apoiar.
Bem e mal eram totalmente estereotipados, não fugiam daquilo. Qualquer um que fosse contra o herói era mau, só por ser contra o herói; não interessava o ponto de vista do vilão, não tinha essa de ‘’os fins justificam os meios’’. Era tudo maquiavélico, planos para dominar o mundo, roubar o banco, ou simplesmente roubar a padaria da esquina. Não interessava se ele queria PLUTÃâ€NIO para salvar uma criança que morria de câncer na Angola, bateu de frente com o herói, era mau e ponto final.
Agora finalmente essa monotonia chegou ao fim. Ao menos é isso que eu interpreto toda vez que lembro da Civil War da Marvel, ou What’s so funny about Truth, Justice & the American Way?, da DC.
Histórias simplesmente geniais, nas quais os heróis são tratados com um quê de ‘’What If?’’.
No primeiro exemplo vemos o grande Capitão América se voltando contra os Estados Unidos. Isso era algo totalmente impossível de acontecer antigamente. O maior símbolo americano resolver QUESTIONAR o lado que ele está em uma Guerra, pensando muito mais em liberdade do que em patriotismo. De outro lado vemos um Homem-Aranha - que sempre foi visto como um filho da puta - ser aclamado por aceitar trabalhar para os EUA sem ao menos questionar. Simplesmente, uma inversão de papéis genial!(Pena que estragaram isso com One More Day). Heróis contra Heróis, e agora, quem são os vilões? Nada de estereótipos, nada de dominação mundial, simplesmente pontos de vista. A favor ou contra? Você tem que escolher um lado, mesmo sendo herói. Indo contra, um herói que sempre chutou bundas para defender todo mundo vai virar um vilão em potencial. Que não quer mais a segurança humana.
Enquanto isso, vemos VILÕES se transformando em heróis, Helmut Zemo e os Thunderbolts que o digam. Uma equipe de super-vilões que decidiu ajudar o mundo.
Esquece os padrões de bom e mal, tudo virou ponto de vista, não somente no círculo de ‘’supers’’, mas também dentro da comunidade humana: muitos são a favor do Ato de Registro, visto na Civil War, mas muitos são contra, considerando-o uma privação de direitos. Deixem os heróis em paz, é por causa deles que você limpa a bunda tranqüilo toda a noite.
E na DC em 2001 tivemos a What’s so funny about Truth, Justice & the American Way? Onde vemos o surgimento da ‘’Elite’’, uma equipe de anti-heróis que questiona a própria Liga da Justiça, liderada por Manchester Black. O que é interessante nisso? Porra, um bando de maníacos começa a seguir Maquiavel á RISCA. Os fins justificam os meios, nada de prender, nada de evitar uma tragédia nuclear quando o míssil for lançado. Vilões devem ser mortos, usinas nucleares totalmente desativadas. Esse é o propósito da Elite: a era do Super-Homem acabou, eles são o futuro. E os humanos realmente concordam com o que eles dizem. Afinal, velhinhas de 78 anos dormem mais tranqüilas sabendo que o Coringa está morto, não preso em Arkham para fugir novamente.
Como disse Jonathan Kent: verdade e justiça não são mais o suficiente para fazer as pessoas seguras, elas querem soluções rápidas e práticas.
Ultimamente, heróis não são mais o que eram. Foram modificados, torcidos, e adaptados. Melhorando histórias e empolgando mais. E ainda assim continuam sendo o que eram: Tudo um bando de veado com cueca em cima da calça.





