
Minha segunda aparição no AOE Recomenda, trazendo novamente coisas espetaculares pra vocês conhecerem. Na coluna de hoje vou apresentar pra vocês a Trilogia “Ware“, de Rudy Rucker.
Na verdade já virou uma tetralogia, mas como eu não li o último, vou fingir que ele não existe, para fins dessa coluna. Mas enfim, os quatro livros são:

Software (1982)

Wetware (1988)

Freeware(1997)

Realware (2000)
Antes de qualquer coisa, não sei se esses livros existem em português. Como um monte de outras coisas boas, você precisa saber ler inglês pra ter acesso a essas obras-primas. Sinto muito.
Quem é Rudy Rucker? É esse cara aqui:

Pêras… são fascinantes.
Além de ser um velho bêbado e usuário de drogas pesadas (aliás, ERA) ele também é cientista e tri ou tetra neto do Hegel, o filósofo. Eu acho que isso credencia o cara pra escrever ficção científica decente.
Quem me apresentou a trilogia foi minha querida Xochiquetzal, companheira de aventuras literárias. Graças a ela entrei em contato com esses exemplares da mais fina e tresloucada ficção científica desde Isaac Asimov. Sério, é coisa pirada. Os três primeiros livros que eu já li e reli, montam uma história completamente surreal, mas surpreendentemente coesa. Vou tentar resumir pra vocês:
Software: Cientista velho, quase batendo as botas, cria sem querer uma nova raça de robôs com inteligência não-artificial. Os robôs querem dominar o mundo e se mudam pra Lua.
Wetware: Robôs piram na batatinha e querem criar uma nova raça híbrida de humanos e máquinas. Engravidam uma mulher com um software (?) e fazem o filho dela sair passando o rodo em geral na Terra, pra espalhar a nova semente.
Freeware: Os híbridos viram uma realidade na Terra. E nesse livro Rucker explora como as relações humanas (?) mudam por causa disso, com grande foco nas interações sexuais inter-espécies.
Realware: Não li. Rá!
O que transforma esses enredos simples em histórias bizarras e maravilhosas, é o fato de Rudy Rucker utilizar no seu texto uma maneira de escrever que ele mesmo criou e denominou de “Transrealismo”. Segundo Rucker, em resumo, o Transrealismo é uma maneira de escrever onde o autor utiliza suas próprias percepções imediatas do mundo para criar seus personagens e as situações, refletindo no texto a psicologia do próprio autor.
Pessoalmente acho esse negócio de “transrealismo” meio óbvio, já que não é á toa que xingo e escrevo tantos “motherfucker” nos meus textos. Mas no caso de Rucker fica muito interessante devido ás suas experimentações com drogas e abuso de álcool. Ele consegue criar cenários muito loucos, envolvendo por exemplo sexo entre seres humanos e híbridos de robôs onde o personagem lambe sua parceira robótica, que segrega uma nova substância alucinógena na sua “pele” (isso me lembra lamber sapo pra ficar doidão) e eles fazem sexo simbiótico onde um acaba derretendo no outro e virando um novo ser e… pode crer quando eu digo que é muito louco.
Aliás, esse é um dos motivos pelos quais não me animei a procurar o último livro ainda. Entre o terceiro e quarto livros, Rucker PAROU de usar tóchicos e dogras. Então, não quero me decepcionar com o cara escrevendo careta. Sei lá o que pode ter acontecido.
Gosta de Sci-Fi e ainda não leu a trilogia Ware? Tá perdendo, mano. É difícil de achar, eu sei. Mas fica de olho, e grava os títulos. Se cair na tua mão, você já sabe que eu recomendei.
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