Faith no More ficou estampada como uma das bandas que mais deram a identidade a ultima década do século XX (Sorry, Nirvana).Alias, é difÃcil falar de muitos estilos sem mencionar alguma vez o Faith no More, principalmente entre estes o Nü Metal, o Metal Alternativo e o Funk Metal, e mais algumas milhares de influencias bizarras que eles resolveram enfiar na musicalidade, tais quais jazz, blues, funk e – pasmem – bossa nova.
Apesar de terem estourado de verdade em 1989, com seu álbum The Real Thing, a história da banda começou mesmo anos antes, no começo dos anos ‘80, quando o baixista Billy Gould e o tecladista Roddy Bottun se conheceram na Loyola High School, em Los Angeles. Juntaram-se em (mais um) projeto new wave oitentista chamado The Animated, mas logo ambos começaram a fazer música de macho pelo underground musical da cidade.

Billy Gould, o supremo Deus do contra-baixo.
Numa dessas zanzadas por entre bandas, conheceram Mike Bordin, bateirista, e foram convidados a fazerem parte da banda Faith no Man, com Mike “The Man�? Morris no vocal e na guitarra.
Depois de um tempo sem ninguém da banda agüentando mais a ditadura de Mike Morris nos caminhos da banda, ouve um singelo pé-na-bunda do infeliz, e seguiu-se a banda mudando o nome Faith no More em 1982, simbolizando que não há mais O Homem para comandar eles.
Seguiu-se um perÃodo grande da banda, para ser mais exato, até o fim de 1983, onde a banda teve vários guitarristas e vocalistas passeando pelo cargo, tendo até uma Courtney Love pré-fama nos vocais. Apesar de eu ser fã de Hole, agradeço a Bog que não há gravações dessa época. Pelo bem de ambas as bandas.
Em 1984, a banda finalmente achou um line-up que durou mais de seis meses, com o bizarro Chuck Mosely no microfone e “Big�? Jim Martin na guitarra.
Finalmente, depois de linhas de texto, apresento a vocês o primeiro single da banda, o We Care a Lot.
Véi, dificil imaginar isso sendo tocado em 1985…
Nesse segmento, percebe-se melhor a influencia absurda que eles deram em bandas futuras, tais quais Rage Against The Machine, Extreme (More than More Than Words) e Red Hot Chili Peppers (Tá, xiitas, o RHCP já existia essa época).
Nota: O estilo “Funk Metal�? já existia, mas foi levado ao Mainstream com este single.
Ouve-se mais um disco depois ainda com Chuck Mosely, o Introduce Yourself, com a We Care a Lot emplacando de verdade algumas semanas na MTV gringa, e só.
Chuck foi outro vocal pé-na-bundeado, pela sua bizarrice in stage, dando espaço para o homem das mil vozes: Mike Patton. Nessa versão da banda, logo em 1989, foi lançado o CD quebra-barraco da banda, o The Real Thing, com a fase conhecida entre os fãs como “fase da água�?.
Achou que num ia ter Epic nessa matéria? Tanga.
Epic tornou-se em pouco tempo uma das músicas tocadas a exaustão em qualquer MTV. Tocada a exaustão pelo seu vizinho fã de Funk Metal. Tocada a exaustão por casalzinhos que brigam mas num querem tocar nada démodé. Tocada a exaustão pela sua avó. Enfim, foi quando a banda estourou a boca do balão, e achou sua musicalidade que seria tocada nas próximas décadas. ()
O interessante desta balada é suas milhares de interpretações. Não há duvidas que é uma música falando sobre uma gordinha. Uma gordinha daquelas. E você se fodendo atrás dela sem saber o que dizer. Mas há fontes que dizem que esta música fala sobre masturbação… Vai entender… (O pior é que faz sentido!)
Oh não! Outro sucesso imediato: Falling to Pieces
Uma das coisas mais bizarras deste CD é uma declaração de Mike Patton, o letrista de todas as músicas: Diz ele ter escrito todas as linhas vocais quase sem nexo, dando mais prioridade a elas se encaixarem na linha instrumental do que em alguma poesia mesmo. Mesmo assim, com um significado quase que surreal, todas as letras inspiram fácil sentimentos obvios. Oh o Alex DeLarge no clipe!
Outra musica que gosto de frisar deste álbum, apesar dela não ter nem clipe.
Em 1992 foi lançado o CD mais experimental de sua carreira – Angel Dust – dito a ser um álbum feito para espantar fãs instantâneos criados pela baladinha Epic. Não sei se tiveram sucesso nessa empreitada, mas o CD novamente foi premiado com “Album of The Year�? de varias revistas de muito nome e pouca credibilidade, como Kerrang!, Rolling Stones e afins.
Este CD é um marco na música, pois dizem por ai que foi este CD que inaugurou aquele treco chamado Nü Metal. Sei não…
It’s a Midlife Crisis!
Outra música de múltiplas interpretações… Estaria Mike Patton passando por uma crise de meia-idade? A música realmente fala sobre a Maddona (Ahns?)?
A Small Victory
Historinha interessante atrás dessa…
“É como se fosse… bem, meu pai era um treinador de time, então crescie sempre quis vencer. E bem, eu descobri que não se pode vencer todos os jogos da vida… droga.�?
- Mike Patton
Sim, Easy. Cover de Commodores!
Nesse CD lançou-se a fama do Mike de ser o homem das mil vozes. Este seria um dos covers que vai para a lista dos mais bem cotados da história. Não tinha nascido na época que lançou a original, mas… Caralho, como essa música tocou nessa versão…
Mais uma vez, o cargo de guitarrista ficou vago e indo e vindo guitarristas até o fim da banda, sem nenhum que ficou algum tempo notável de fato pra se dizer que foi o homem da guitarra na banda. Teve espaço até para o roadie entrar na banda…
King For a Day… Fool for a Lifetime, com um nome deveras interessante, seria lançado em 1995, com uma cara mais revoltada que seus predecessores.Não tendo um sucesso comercial assombroso, mesmo assim criou-se influencias em outras bandas, fazendo uma new wave de bandas daquele estilo que misturava eletrônico, guitarras de metal, vocal misturando rap e funk… conhecida como New Metal com suas baladas nada leves, revoltadas, com o baixo comendo solto… Esse CD teve três musicas de bastante sucesso, mas vou citar só duas por ora.
Digging The Grave!
Apesar da revolta na canção, a musica fala sobre uma pessoa indo abaixo. Adoro.
A Elegante Arte de Fazer Inimigos
Como marca registrada da banda, mais uma música falando de amor, mas de um modo bem bizarro… The Gentle Art of Making Enemies é uma das minhas preferidas desse CD, e de toda discografia do Faith no More.
q/ rsrs!
Preta atenção ao nome dessa música: Caralho Voador. Não, em português mesmo. E sua pegada bossa nova. E sua estrofe:
“Eu não posso dirigir
E agora aparece meu dedo
Enterrado em meu nariz.�?
Não, não é haikai do Juno! É Faith no More pirando na batatinha.
Em 1997, a banda se despedia dos fãs com seu ultimo disco, Album of The Year. As vezes parece sim que este estava cronologicamente marcado para encerrar a carreira, pois nessa época a banda começou a fazer algo muito experimental, frio, denso, dremático. A banda começou a se apresentar vestidos em roupa social e com cravos na lapela. Isso é, roupagem de defunto (brrr).
Ashes to Ashes…
Das cinzas as cinzas, Faith no More mostrava do porque ser a banda que tinha a cara dos anos ‘90 novamente, criando uma música quase que mistica sobre a própria mortificação. Sou do tipo de pessoa que acredita no fim quando se está no topo, pra deixar saudades… E era isso que Faith no More acabou criando.
Last Cup of Sorrow
Outra música falando sobre fim, com o clipe baseado no filme “Um corpo que cai” de Alfred Hitchcock.
Em 1998 começaram a rolar boatos sobre o fim do Faith no More, pela internet e revistas do mundo. Dia 19 de abril, Billy Gould resolveu falar sobre o assunto, mandando e-mails e fax com o seguinte texto:
“Depois de quinze longos e frutiferos anos, Faith No More resolveu por um fim sobre as especulações sobre o fim iminente da banda… com o fim da banda. A decisão entre os membros foi unanime, então não terão dedos apontados, sem dar nomes aos bois, nada mais que isso, para ficar gravado, aquele ‘Puffy (N:Apelido de Mike Bordin) quem começou isso’. Além disso, o fim da banda via permitir aos membros se focarem mais em seus projetos solos sem nenhum medo. Por fim, e mais importante, a banda gostaria de agradecer aos fãs e aso colaboradores que ajudaram e deram suporte a banda por toda sua história.”
Os membros cada um foram para um lado e fim a banda. Mike Patton continua em carreira solo. Billy Gould foi baixista do Brujeria por um bom tempo, e atua na área de produção musical de varias bandas. Mike Bordin atualmente é o bateirista do Ozzy Osbourne. Mas, ainda não é fim da banda.
Bee-Gees? Vuco!
I Started a Joke na verdade foi lançado em 1995 como faixa bonus para o King for a Day… Fool for a Lifetime brasileiro, mas acabou virando o ultimo single da banda, na promoção da copilação Who Cares a Lot? Para quem não lembra, essa musica fala sobre alguem que fez alguma piada que resultou contra si mesma, ou alienação social, ou a visão do próprio Lucifer sobre o que fez. Pragmática.
Fim perfeito pra uma história perfeita que envolvia rixas de quinze anos, bateirista sendo usado de bode expiatório, musicalidade alternativa e mainstream? Talvez.
Duas entrevistas com Mike Patton dizem coisas contrarias. Perguntado sobre uma possivel reunião da banda – Eu duvido muito – ele disse, em 2008. Este ano mesmo, disse que “Não negaria uma chance dessas, mas a banda pode fazer outras coisas juntos, além de reestruturar o Faith no More�?.
Ouve-se um boato sobre um novo CD da banda… mas só posto mais quando confirmar :D
Bom, fica ai um pouco da história dos anos ‘90… E nem é grunge!
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