Culinária Alternativa
28 de janeiro de 2008, às 8:28
É Zona Sul, mano!
Periferia, mano! Olha os mano, mano! Mano mano, mano… mano! Mano!
Era quarta-feira, 22:37 hs. Ele andava pela zona sul de São Paulo, á noite, a procura de um ponto de ônibus, com o cu na mão. Não tinha nada nas mãos (a não ser o cu), mas carregava seu mp3 player em um bolso, sua carteira n’outro e seu celular no bolso direito da frente. O outro bolso sempre está vazio, ele sempre se pergunta por quê. Então pára de se perguntar, afinal, aquilo era uma idiotice.
Ele chega no ponto. Não tem ninguém, não há nenhum movimento na rua. Estava frio, garoando, ventando forte. Ele acha uma bala de hortelã no bolso que sempre estava vazio, então fica feliz ao saber que o bolso não estava vazio, mas se pergunta: onde eu consegui esse DIABO dessa bala de hortelã? Não há resposta. Ele entra em depressão, mas logo sai: era idiotice.
Um ônibus se aproxima, mas não era o que ele aguardava. Ele desembrulha a bala, deixando-a cair no chão. Fica puto e começa a reclamar da vida, de tudo que ele fez de errado… ele era um fracassado, estava realmente muito deprimido. Se lembrou de que balas de hortelã nem são tão boas assim, e que sua bala favorita era a de canela. Uma alegria tomou conta de seu peito, mas logo sumiu: era idiotice ficar contente por causa de uma bala. Até perceber que havia alguém se aproximando, então percebeu que, mais do que nunca, seu cu ainda estava em sua mão.
- Oi.
- Boa noite. Veio esperar um ônibus?
- Isso é um ponto de ônibus?
- Certamente.
- Bom… eu poderia te esfaquear agora, mas isso é um ponto de ônibus… então eu vou esperar um ônibus.
- Olha… eu estava pensando em sentar ali, mas… eu vou precisar de uma cueca limpa antes.
Ele havia cagado em suas calças, apesar de estar com o cu na mão. Mas ninguém liga, eram 22:49 hs em um ponto de ônibus na zona sul de São Paulo. Voltar pra casa cagado é para poucos.
- Que horas são?
- É hora de… morfar…?
- Você está pálido… tá se sentindo mal?
- Eu… não como há dias. Emagreci 7 kilos só hoje, aliás. Digo, só agora, antes de querer sentar.
- Hm… você é rígido com regimes, hein?
- Eu faço tudo pra ser sempre essa… musa.
- Anhé? É uma bela musa.
- Opa, opa. Eu tenho a mão grande.
- Enorme.
- E, quer saber?
- Claro.
- Eu tenho DUAS.
- É verdade. UAU! Como você é… quente.
- Ah… você nem faz idéia.
- Tá quente aqui, né?
- São seus olhos.
- São belos olhos, né?
- Sim… são muito parecidos com os me… MÃE?
Então ele levou um puxão de orelha, afinal, o ônibus que ele deixou passar, era o ônibus certo.
Texto retirado e editado do antigo blog AOE.
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