Ok, acho que estou na neura de escrever… Bora lá.
Com o fim da ressaca, sempre vem a ressalva e a monotonia, assim fechando os últimos anos da primeira década do século XXI, o velho feeling do 1980′ hype aos poucos definia.
Você não aguenta mais ouvir uma banda cover de Joy Division. Você não aguenta mais covers de Poison e de Mötley Crue. As baladas post-punk passinho-pra-frente-passinho-pra-traz estão te deixando menos hype entre seus amigos populares…
A onda agora é ser noventista! Tá bom, você jogou fora sua camisa de franela suja de terra e marijuana a pelo menos quinze anos? O Ato ou Efeito, o site mais quente da galáxia te ensina como voltar aos bons tempos quando Kurt Cobain tinha seu lar dentro de sua cabeça, e não o contrario!
I SEE WHAT YOU DID THERE…Mudando o Visual
É um fato conhecido que a moda nos anos 80′ foi um desastre. Mas na década seguinte tudo foi mais glamuroso e bonitinho. Jogue fora suas camisas de Atari, arrange uma bem bonita do Super Mario World ou do Sonic, você deve ser um nerd das antigas real. O vintage agora é a era 16bits!
Tudo bem, a onda era sim nerds, mas lembraremos disso mais tarde, estamos tratando do seu visual, mané.
Sabe seu cabelo poodle que sobrou da sua era oitentista? Alise-o! Não o suficiente pra você parecer um membro do Guns ‘n Roses, mas que fique com cara que você é um americano de vinte anos que não dorme em casa há alguns dias. Franjas não são recomendadas, o importante de ser grunge é se sentir preso, angustiado, e nada melhor que isso ter cabelo na cara para impedir sua visão clara.
Jeans? Talvez, mas o legal mesmo é sair com calça moleton que nem sua avó tem mais coragem de usar (de pijama), tênis converse preto, camisa cinza (que um dia já foi preta, ou branca), e a onipresente camisa de franela.
Estampas permitidas: Arquivo X, ET’s estilizados, Super Mario OU Sonic (na época, ainda rivais), aquele simbolo estranho do Nirvana, aquele simbolo estranho do Pearl Jam. Camisas autografadas por gente da época que ninguém conhece mais são aceitas também.
Eu quero não acreditar…Não, não pense em variar muito o armário, você pra compor seu visual, vai ter que ficar sujo algumas semanas. Então, umas 3 ou 4 variações já são o suficiente pra passar o bimestre todo hype e grunge.
Músicas:
Obviamente você vai procurar (a-go-ra!) os dois santos graais do grunge: Ten, do Pearl Jam, e o Nevermind, do Nirvana, ambos de 1992.
Cópias em vinil são bem quistas, apesar de não serem necessárias. É interessante você saber também de bandas inferiores ao deuses Eddie Vedder e Kurt Cobain, tais quais Soundgarden (Afinal, Chris Cornell cantou junto com o Vedder no Temple of Dog), Stone Temple Pilots, Alice in Chains.
Even Flow: Haja como um mendigo, grunge!
Silverchair é poser, mas você deve conhecer, e falar bem de algumas músicas (talvez Suicide Dream, Anna’s Song). Sem exageiros, essa proxologia é perigosa.
Jamais pense em dizer qualquer coisa além de “Axl Rose é um cuzão” se for falar de Guns ‘n Roses. Ele arranjou treta com o Kurt, isso é imperdoável (por mais que os motivos sejam idiotas, ambos sejam obviamente idiotas, e que nenhum tenha a razão sobre isso).
Como estamos falando de ser vintage e não ser original, procure bandas “novas” de “grunge”, tais quais Puddle of Mudd, Colective Soul, Bush… Mas, lembre-se: Respeitar-los-á de fã para fã, não de fã para ídolos. Eles não são os originais, “foi o que deu pra arranjar com os cincão que cê deu”.
Comportamento:
Não existiam puritanos entre os grunges. Não adianta nem reclamar, a tão dita Geração X foi uma geração perdida. Ao contrário das gerações passadas, não usavam drogas pra estravazar. Usava-se drogas para tornar seu intelécto mais profundo e ostracionista.
Não adianta reclamar, o mundo é uma bosta.
Sexo? Só se você estiver sem fazer nada. Sorria pouco enquanto o faz, mostrando um desinteresse total. Isso é o maior tesão que um grunge pode ter. Fazer pouca coisa na cama também ajuda o fedor da transpiração nos seus corpos sujos feder menos. Reza a lenda que uma foda bem dada entre dois grunges foi o motivo da invasão do Kwait. Portanto, cuidado.

Bart Simpson, não o Homer. Nevermind.
Citar frases de ídolos “contemporâneos” é bem quisto. Nem que seja a pior merda que já tenha sido ouvida pela humanidade, vale a pena cita-la dependendo de quem foi que disse.
Imitando seus ídolos assim, você mostrará toda sua singularidade e revolta, assim como todos seus outros amigos grunges.
Equipamentos:
Uma coisa que ganhou popularidade nos anos ‘90 foram os microcomputadores. Não aqui no Brasil, óbvio (Aliás, se você já se empolgou e vestiu a camisa de franela, pode perceber na pele a diferença de clima entre Seattle - Washington e Fortaleza - Ceará).
Numa época aonde celulares e computadores eram coisas de empresários, o hype era ter uma agenda eletrônica. Elas tinham milhares de funções: Calculadora, “enviadora de mensagens” (mesmo funcionando com um infra-vermelho muito dos vagabundos), joguinhos, gravador de voz, vibrador, desintupidor de pia… enfim, até serviam para anotar os telefones dos seus amigos!

Ah, eu sei como você chorou pra sua mãe te comprar uma dessas… TANGA.
Atualmente, temos os celulares, cada vez mais vintages e chupinhuscados dos designs da era, portanto não se preocupe. Se achar um desses bixos arcaicos em algum camelô no centro da cidade, compre como relíquia histórica. Sucesso garantido.
Computadores e vídeo-games 16bits começaram a chamar a atenção por volta de 1992. Foram lançados antes, mas era tão vagabundo e coisa de nerd que só foi cair no gosto do povo quando os nerds se tornaram moda.
Tenha um Super Nintendo ou um Mega Drive em bom estado, e aprenda a hackear em DOS. Você vai se tornar uma lenda no seu bando.
Situe-se:
Como grunge, você é a voz de uma geração que sofreu. Tanto faz no que sofreu, se perdeu algum capítulo do Arquivo X, se sua mãe não deixou você assistir Beakman ou Beavis and Butt-head porque tava na hora da janta, ou mesmo sem arranjar algum motivo lógico o suficiente pra explicar pros outros, você é sofrido.
Mas, para se diferenciar dos góticos, você não chora das mágoas nem se veste de preto. Você planta alienação social, esperando que, fazendo coisa errada, o mundo comece a fazer coisa certa.
Ah, você não é punk, mas também é. (E se quiser atingir o Jackpot do grunge, jamais entenda o que era um punk).
Morrer de overdose ou suicídio é hype também. Mas tenha suicídios legais, nada de cortar os pulsos ou se enforcar: Use sua criatividade.
Pronto, com esse tutorial básico você se tornou um “grunge” completo. Um completo acéfalo que vive como se estivesse em 1993 vendo MTV underground, só mudando pro canal 3 pra ver aquele chuvisqueiro antes de ligar seu video-game, tocando Territory Pissing de fundo e sua mãe chorando ao sentir o cheiro de maconha saindo do seu quarto se perguntando o que ela fez de errado pra você se tornar assim.
Você se tornou um marginal, a escória da humanidade. E se orgulha disso.
(Nota: o autor é muito fã dos anos ‘90 sim, mas odeia o modo que vê todo mundo se padronizando pra mais uma onda hype vintage, fazendo tudo virar só mais um ciclo vicioso, assim como os próprios anos 90′ foram uma cópia “triste” dos hippies dos anos ‘60)
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