
Eu acho que o Wii deveria ter mantido o nome de “Revolution”, como foi originalmente anunciado pela Nintendo. Por que deveria ter mantido o nome previsto? Porque dos três consoles da nova geração, ele é o único que realmente representa uma revolução no que os vídeo-games podem oferecer.
Alguns já estão me chamando de nintendista. Vocês estão errados. Eu acho o Wii uma merda, por alguns motivos básicos que me impediram de comprar um até o momento:
1) Ele não consegue apresentar gráficos melhores que o Playstation 2. E eu me ligo muito em jogos com alto nível de boniteza.
2) Os jogos são em sua maioria voltados para o público infantil ou leigo. A coisa tende a mudar com o que está previsto até o início de 2008, mas um remake de Resident Evil 4 para oWii não é suficiente para me fazer comprar um console.
3) Eu ainda me sinto um idiota pulando e me esbaforindo na frente da televisão
Mas nada disso interessa. O Wii já se tornou maior do que qualquer julgamento que nós, hardcore gamers, podemos fazer sobre o console.
Desde o Playstation 2 todos nós já sabíamos que o Playstation 3 ia acontecer. E a gente também sabia que ele ia ser definido pelo MAIS: ter mais memória, ser mais rápido, apresentar gráficos mais bonitos, custar mais caro, etc. Tudo baseado em um desenvolvimento quantitativo da plataforma. O Xbox seguiu pelo mesmo caminho, gerando o X360.

PS3 e X360. Concorrem entre si, mas não concorrem com o Wii.
A corrida louca das duas fabricantes para apresentar o console mais potente levou a uma aberração: hardwares de ponta com altíssima capacidade de processamento, mas que superaquecem e tostam. Isso mesmo, se você jogar demais, você arrisca queimar seu console, por super-aquecimento. Cara, isso é muito anos 80. Seria engraçado, se não fosse triste. É como comprar uma Ferrari sem sistema de refrigeração: você pode andar muito rápido, mas tem que parar a cada 10 quadras pra ela dar uma esfriada.
Já a Nintendo, percebendo que não poderia competir com Sony e Microsoft, deu o braço a torcer:“Ok, não vamos tentar nada melhor do que vocês. Na verdade, vamos deixar claro desde já que nosso console não vai ser grande coisa, pouco melhor que o GameCube. Mas cara, vocês vão PIRAR com o que a gente vai mostrar.”
E daí chega o Wii. Pequeno, modesto, com controles esquisitos e com poucos botões. Será que é um vídeo-game de verdade? O quê? Eu tenho que jogar de pé?

Nunchuk e Wiimote
A gente podia prever como seria o PS3 e o X360, mas NINGUÉM sabia como seria o Wii, o único vídeo-game que finalmente tirou nossas bundas do sofá. Ninguém esperava que os nossos sonhos mais loucos de empunhar espadas, bisturis, sabres de luz, tacos de golfe, luvas de boxe, tudo que a gente fingia que tinha nas mãos nas brincadeiras de criança, um dia ia virar brincadeira de adulto. O carinha no jogo faz o que eu tô fazendo na frente da televisão! Espetacular! Como isso pode ser?
Alguém me explicou que o wiimote e nunchuk funcionam com três acelerômetros, que captam a movimentação em três dimensões, auxiliados por emissores de infravermelhos e uma série de captadores na barrinha que vai em cima da TV. Mas esses dados técnicos não interessam. Pra mim, o que tem dentro daqueles controlezinhos é MÍGICA, cara. Pó de pirilimpimpim e TNT, é isso que tem lá dentro. A parada funciona, e é muito louco.

Versão do Wiimote para jogos de surfe.
A Nintendo conseguiu mais uma vez se superar e surpreender os jogadores mais céticos e calejados. Eu posso até não gostar do Wii, mas reconheço que é a única plataforma a oferecer uma experiência diferente aos gamers que achavam que já tinham visto de tudo. Além, muito além disso, é o único console que não assusta o jogador casual e o não-jogador. E isso é bom, porque faz a indústria crescer; coloca a diversão dos jogos eletrônicos ao alcance de uma parcela muito maior da população.
Wii, teu verdadeiro nome é Revolução.
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