Se você for alguma espécie iluminada de ser humano que NUNCA passou um Dia dos Namorados xingando seus amigos apaixonados, entupindo-se compulsivamente de chocolate ou simplesmente imaginando planos mirabolantes para acabar com a vida do seu ex-namorado; feche a janela: este texto não é para você. Ah, outra coisa, você não existe.
A Paixão do Arlequim - como a maioria do trabalho de Neil Gaiman - oscila entre o adorável e o grotesco. Adorável porque tem o saltitante Arlequim (eu não acredito que usei o adjetivo “saltitante”) e grotesco porque o livro começa com o tal personagem pregando seu coração a porta de sua Colombina - uma garota solitária chamada Missy.
“E onde os personagens típicos de Los Hermanos Carnaval se encaixam no Dia dos Namorados?” - sua mente tanga se pergunta. Oras, caro leitor, Neil Gaiman pode tudo: inclusive juntar o melancólico triângulo amoroso da Arlequinada italiana (Arlequim-Colombina-Pierrô, seu noob!) com a possível tortura de passar um Dia dos Namorados na seca. Não que eu entenda algo disso, é claro.
Que mentira.
Mas esquecendo a auto-biografia ou o momento pseudo-emo, você DEVE ler A Paixão do Arlequim. Se você não se apaixonar pelos personagens (explorados até o âmago em questões psicológicas), com certeza será pelo final surpreendente - também típico do autor. Independente de seu estado civil ou mental, seria deprimente e retardado deixar de lê-lo.
A Paixão do Arlequim
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Título Original: Harlequin Valentine
Lançamento: 2002
Arte: John Bolton
Roteiro: Neil Gaiman
Número de Páginas: 30
Editora: Conrad Editora









