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Papo Animado

11 . 09 . 08 | Tags: , , ,

A História dos Desenhos Animados 2 - Era do Som

Eu sou o marinheiro Popeye, eu sou o marinheiro Popeye…

Diz o ditado que promessa é dívida e, embora não tenha prometido nada e ninguém tenha me dado algum retorno sobre a nova coluna, vou continuar, por enquanto, com a história dos desenhos animados.

Mesmo porquê vocês são uns noobs e não sabem como esse Johnny Bravo, Padrinhos Mágicos, Family Guy, Os Simpsons ou Ben 10 começaram.

Com a popularização da técnica de Earl Hurd (mais aqui ) e também do cinema, os desenhos deixam de ter a temática adulta e começam a se popularizar para todos os tipos de gostos e faixas etárias.

Confira abaixo os que fizeram mais sucesso e ganharam mais dinheiro nessa época.

Gato Félix - 1919

Praticamente um quadrinhos animado

O primeiro a fazer sucesso é o Gato Félix (Felix, The Cat) em 1919 com o curta Folias Felinas (Feline Follies).

Criação de Otto Messmer e Pat Sullivan, Felix foi um sucesso na chamada era muda dos desenhos, principalmente pelo jeito despojado do gato risonho que se comunicava com o rabo e do início do humor quase negro agradando a todos.

Apesar do sucesso, Félix não conseguiu segurar a onda por muito tempo, ainda mais com o início da era dos filmes falados, mas o gato preto pode se orgulhar de uma coisa: foi a primeira animação a ser transmitida pela televisão, em 1930.

Depois, o desenho chegou a ser remodelado, com Félix com um estilo detetive e uma mala que saía de tudo, mas isso é história para outra hora.

Mickey - 1927

É lançado o padrão Disney com overdose de canções e bichinhos

Revolucionando a história da animação (aliás, tudo que era lançado revolucionava, pois era novidade) Steamboat Willie lançou o camundongo Mickey para o estrelato, sendo a primeira animação contando com sonorização própria. Walt Disney mesmo regeu a orquestra do desenho e fez a dublagem dos personagens descobrindo a galinha dos ovos de ouro que até hoje é referência, a equação desenho+musical.

Detalhe que o politicamente incorreto ainda imperava, apesar dos bichinhos e cantoria Disney.
Aliás, muitos acreditam que esse desenho foi o primeiro com Mickey, mas antes de Steamboat Willie, duas animações mudas haviam sido feitas com o ratinho, mas que passaram despercebidas pelo público e crítica.

Com o sucesso instantâneo, foram produzidos mais 15 desenhos com o ratinho começando a colocar o velho Walt na trilha do sucesso.

Betty Boop - 1930

Os caras se masturbavam com isso, véio

Criada em 1930, pelos estúdios dos irmãos Max e Dave Fleisher, Betty Boop estreou na animação Dizzy Dishes, sendo o que de mais ousado havia para a época extremamente conservadora.

Cabeçuda, mas com um corpinho sexy e roupas ousadas para a década de 30, Betty era um desenho direcionado a outro tipo de público. Com um ar inocente, jeito independente e extremamente provocadora, Boop fazia a alegria dos punheteiros da época, principalmente depois da animação Boop-Oop-a-Doop.

Hoje vocês podem achar tudo muito tosco, mas lembrando que na época, mostrar a canela, já era motivo para ser preso por atentado ao pudor.

Foram feitas mais de 100 animações com Betty Boop, até baixarem, em 1934, um Código de Produção censurando a personagem. Em nome da família americana e da moralidade, a personagem não poderia mais exibir suas roupas provocantes e seus decotes.

Os produtores não deixaram por menos e cobriram a personagem até o pescoço, mas em roupas colantes destacando seus seios, o que deixou a personagem mais sexy ainda. Aí, em 1939, os velhotes pau-mole do Comitê Moralizador proibiram Betty de aparecer na TV.

Os estúdios Fleisher nem ligaram, pois já estavam ganhando bem com outra animação.

Popeye - 1933

Eu sou o marinheiro Popeye, eu sou o marinheiro Popeye… Duvido que isso não grude na cabeça

Popeye foi originalmente criado para as tirinhas do “New York Journal” por E. C. Segar, em 1929, mas logo foi levado para os desenhos de Betty Boop pelos irmãos Fleisher, fazendo sua estréia em 1933.

Logo de cara é apresentada a música-tema que será eternizada ao longo dos anos, além de Olívia Palito e Brutus.

Mesmo Popeye já sendo forte, também é mostrado ao público o hábito de comer espinafre para ficar mais forte ainda, fazendo com que aumentasse em 30% o hábito de consumir espinafre nos Estados Unidos e com que minha mãe enchesse o saco para comer esse treco quando era pequeno.

Popeye é um dos meus desenhos favoritos até hoje, e tem uma história através dos anos bem interessante, tanto que não cabe aqui e deve merecer uma coluna especial só para ele.

Como ficou um texto enorme novamente, semana que vem devo voltar com o início da era dos desenhos coloridos.

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3 comentários

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É engraçado desenhos serem considerados pelos mais velhos como coisa de criança sendo que no princípio era bem o contrário. E Disney já era um porre desde o começo.

Tchulanguero
11/09/08 | 10:27 am | URL | #

E Disney já era um porre desde o começo.²
Disney é uma merda.

Angelo Dias
11/09/08 | 5:47 pm | URL | #

Como se critica algo que não gosta?
O alicerce da crítica é seu próprio embasamento.

Auto-crítica para os dois aí em cima…

Aqui vai um comentário pra quem teve infância:
Não só a Walt Disney, mas as produções de Hanna Barbera e Warner Bros foram decisivas nas novas formas de se pensar a sociedade em nossa atualidade.
O Gato Félix, por exemplo, trouxe à tona o discurso da importância da ‘fantasia’ na construção da realidade, pois ele trabalha diretamente com a idéia de um animal que sente todas as condições humanas.
Popeye desenvolveu a idéia da ‘força militar’ e prestígio que é um marinheiro; Olívia Palito ajudou nos moldes de beleza abaixo dos 50kg; Gugu como o bebê-problema que reforça a idéia de que criança é sinônimo de trabalho; Brutus, que o nome já diz tudo(em físico e mental) assim como o nosso ‘papador de hanburg’ que ajudou a difundir a importância de um ‘Big Mac’ para nossa felicidade.
Mais além, buscamos a Betty Boop que representou toda a censura possível com suas roupas ousadas e seu jeito leviano de viver, representando tudo de ruim na formação da mentalidade feminina.

Mais do que críticas, são reflexões a respeito do que fala, do que se pensa e do que se escreve. Acreditar que não há um intermédio entre o ‘cérebro’ e a ‘língua’ (neste caso, os dedos)é negar a possibilidade de desenvolver discussões proveitosas.
Aos que vêem ‘merda’ em toda a parte, comecem a analisar se não têm por dentro também…

Veruska Dias - Belém/PA
11/11/08 | 7:37 pm | URL | #

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