Okay tanguinhas, hoje estréia a coluna de livros, e eu vou aproveitar que o atillah falou sobre o escapismo por aqui esses dias e tratar de um assunto parecido. O Huno em sua coluna falou sobre como as pessoas escapam do mundo se enfiando nos jogos, já eu vou falar sobre os personagens que escritores criam pra poder dizer o que não diriam abertamente. Se minha escolha de tema pra primeira coluna incomoda você, problema seu, baby. A coluna é minha, mesmo.
Pseudônimos provavelmente são usados pelos escritores desde quando a própria escrita existe. Acho que um dos pensamentos mais comuns que passam pela cabeça dos escritores é “puxa, até onde eu posso escrever sendo eu mesmo?”. Pois é tanguinha, não é difícil encontrar gente por aí usando nomes falsos pra colocar pra fora
aquilo que ta entalado na garganta. Se você não pode escrever sobre suas experiências com mescalina, cocaína e ácido e sair impune, ou discorrer sobre os seus crimes do passado, ou mesmo xingar o presidente sem se dar mal por isso, por que não criar um personagem-escritor, de temperamento forte, que possa fazer isso sem nenhum arrependimento ou medo de se comprometer?
Um ótimo exemplo de personagem-escritor é Raoul Duke, que é o pseudônimo e alter-ego de Hunter S. Thompson (sim tanguinha, se você ler os livros dele vai notar uma certa semelhança com o estilo de escrita de Spider Jerusalém). O Thompson já era completamente maluco e desregrado, sem muito medo de falar do que quisesse, imagina então o que ele poderia fazer com um alter-ego (mais) malvado!
Servindo como uma barreira protetora ao próprio autor, os pseudônimos são muito apreciados por grande parte dos artistas literários (e por boa parte dos outros artistas também, mas aí já tá fora da área da coluna), e é importante que eles existam, pois o uso dos pseudônimos só tende a enriquecer a literatura (afinal, eles representam a quebra de certas restrições na escrita). Quer dizer, um escritor está para o seu pseudônimo quase como Bruce Wayne está para o BÍTIMA. O cara pode até ser rico e ter criados na sua vida comum, mas ele só consegue fazer o que realmente quer com uma máscara no rosto. Pois bem, se isso faz com que os escritores consigam, metaforicamente, voar por aí e socar melhor os bandidos, que venham os pseudônimos!
E talvez um fenômeno ainda mais interessante que o de se esconder atrás de uma identidade falsa pra falar as verdades que afligem o peito do autor seja o heterônimo - termo criado por Fernando Pessoa - que não só são um escudo protegendo o nome do verdadeiro autor do texto, mas possuem também uma personalidade própria. Não é difícil enxergar diferenças entre o pessimista Ílvaro de Campos, o simplista Alberto Caeiro e o próprio Fernando Pessoa.
No mundo da escrita, escapar nem sempre é uma coisa ruim, e muitas vezes é só escapando da própria identidade que se consegue chegar realmente no fundo do que o próprio autor tinha pra dizer. Afinal, todo mundo sabe que a sua vida é ridícula, né, tanguinha? Se você quer realmente escrever algo que vá além dessa pessoa chata que vive nessa rotina chata todo dia, você não tem escolha: solte o terrorista que existe dentro de você. Todo escritor tem um incendiário em potencial, mas você precisa dar vida a ele antes de botar fogo nas coisas.
…mesmo porque sem a ajuda de um alter-ego endiabrado, você não consegue botar fogo nem pra FLAMBAR um PATO. Veadinho.
Gostou daqui? Então faça parte da nossa comunidade no orkut ou então siga o AOE no Twitter!








