» Eu Odeio Isso Aqui – 18 de novembro de 2008, às 9:29 – por Capitão Piratão
#32
Auto-censurei o subtítulo por conter linguagem inapropriada para menores de 18 cm.
Faz alguns dias, Matheus Nachtergaele falava sobre seu personagem em Ó Paí, Ó numa entrevista. Deixem de lado o ator, a entrevista e a série. O que ele falou de realmente importante ali foi a parte do “a série tem uma linguagem muito nua, muito real, acho que é por isso não pode ser exibida mais cedo”. Excelente percepção de como funciona a TV, e excelente exposição de como a censura às vezes pode ser extremamente absurda. A série não pode ser exibida em quase nenhum horário por mostrar uma linguagem “imprópria, suja, cruel e profana” demais pra ser ouvida, aparentemente, por todas as crianças, as pessoas puras e os de coração fraco. Por outro lado, a linguagem é nua e real, o que significa que é muito próxima do que se diz diariamente, sem se pensar em qualquer porra de horário ou qualquer bosta de lugar.
Funciona assim: o mundo lá fora é livre, sujo, nu e extremamente real. Tanto que é absurdamente incensurável, apesar de muita gente tentar te provar o contrário. Absolutamente nada impede que as maiores heresias sejam proferidas às mais puras dentre as crianças de coração fraco em plena luz do dia. Mesmo assim, você teoricamente não pode falar palavrão na TV, nem falar abertamente a cor da pele de pessoas negras, mostrar sua opinião em artigos informativos ou mencionar negativamente nomes relacionados à TV Globo, porque tudo isso corre o risco de agredir as sensíveis almas dos puros.
O mundo é feio, corno e cruel, mas é moralmente inaceitável vê-lo de tal forma, e, portanto, devemos todos falar como personagens retardados de shows de marionete infantis (Achmed não vale, inclusive), fugindo assim do terrível mundo-blasfêmia e chegando mais perto de Deus.
O real não é o que você ouve nas ruas. O mundo lá fora não passa de uma grande cópia mais fedida do pior de todos os filmes pornográficos de terror satanista. O mundo dentro da caixa é que é Real. Só pode ser, já que ele está muito mais próximo das palavras do Senhor Jesus.
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Aos cinco anos, sua mãe te diz que você deve agradecer à sua tia detestável pela meia vermelha com árvores de natal bordadas que você ganhou de aniversário, e que dizer que não gostou do presente – mesmo que seja verdade – é imperdoável e muito, muito feio.
Aos quinze, você descobre que falar “cu” em sala de aula é punível com dois dias de suspensão, quinze chibatadas e com a Marca do Criminoso tatuada na sua nuca.
Com vinte e três, você tem a obrigação de saber que seu reitor é Magnífico, independente de ele gastar centenas de milhares de dólares com decoração de apartamentos.
Aos dezoito, você teve que jurar amor incondicional a um país que diariamente tenta enfiar areia no seu cu abrindo espaço com um canivete. Você precisa servir a pátria, ela não precisa te fazer nada. E ai de você se não sorrir.
No fim das contas, todo mundo acaba por achar perfeitamente normal – e até muito bonito – que dois inimigos declarados, trajando suas vestes tradicionais, tratem um ao outro por Vossa Excelência para, logo depois, trocar mensagens repletas de ódio venenoso.
E depois me aparece gente dentro dos próprios veículos de comunicação altamente censurados dizendo “ain odeio hipocrisia”.
A todos os que acham que devemos temer a linguagem satânica do mundo dentro da TV, rádio ou outros meios de comunicação, eu adoraria ter xingado todos vocês durante todo esse texto, mas fazê-lo seria extremamente anti-ético e, é claro, tiraria de mim toda a razão, invalidando completamente o trabalho que eu tive escrevendo esse pedaço de bosta.
…tá bom, hahah. Vão tomar tudo no meio do olho do seus cú inchado, seus filho dumas puta cheia de gonorréia na garganta!
Aliás, vão tomar no meio do seus cú vocês também, leitores-dicionário de merda.
Tags: Blitzkrieg, Censura, Ética, Linguagem, TV
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